terça-feira, 23 de março de 2010

A loucura da cruz

“Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus” (1Co 1.18, ARA).


Ao escrever esta Primeira Epístola aos Coríntios, o apóstolo Paulo revela a pressão e os desafios de uma igreja iniciada num contexto cultural e religioso pagãos. Havia graves problemas espirituais e morais no estilo de vida da igreja de Corinto. Discórdias, facções, imoralidades, ações judiciais, abuso dos dons espirituais e práticas questionáveis na Ceia do Senhor formavam a pertubadora visão de uma igreja que precisava de uma ruptura extremada com as tradições helênicas politeístas idólatras. Era necessário romper com os maus costumes e com o pecado que ameaçava a existência de uma igreja imatura, apesar dos diversos dons espirituais que capacitavam muitos membros para o serviço cristão santo e produtivo.

quarta-feira, 17 de março de 2010

O não-perdão como desconstrução da vida

“Enquanto apedrejavam Estêvão, este orava: ‘Senhor Jesus, recebe o meu espírito’. Então caiu de joelhos e bradou: ‘Senhor, não os considere culpados deste pecado’. E, tendo dito isto, adormeceu” (At 7.59,60).

A semelhança das palavras do primeiro mártir da história da igreja com as palavras do Senhor Jesus quando pediu ao Pai que perdoasse os pecados daqueles que o crucificavam e zombavam dele (Lc 23.34), nos deixa um grande exemplo de perdão. E numa situação de violência extrema. Seríamos capazes de perdoar como Estêvão perdoou os seus algozes? Sim, se tivermos a nossa vida debaixo do absoluto controle e soberania de Deus, se estivermos cheios do Espírito Santo e do amor divino. Não é desejo de Cristo que venhamos a retribuir o mal com o mal. Embora nossa atitude natural seja a de desejo por justiça e vingança no lugar da misericórdia quando somos ofendidos, perseguidos, caluniados ou maltratados, o modelo deixado pelo herói da fé deve inundar profusamente a nossa mente e coração. Se Estêvão guardou o exemplo do Senhor Jesus, nós também podemos guardar o mesmo. Não digo que seja fácil perdoar, mas o perdão não pode ser dificultado, tornado pesado, além de ser uma exigência do Pai.

segunda-feira, 15 de março de 2010

O perdão como purificação da alma

Mágoa: sentimento-experiência comum a todos. Os relacionamentos não estão sempre alicerçados na simplicidade. Tantas são as diferenças entre as pessoas que o peso das variadas experiências de vida, personalidades, projetos, objetivos, sonhos ou simples desejos faz com que haja choques, colisões frontais, puxada de tapetes, competições, rivalidades, inimizades.  

Mais do que as adversidades e espinhos da existência, são as pessoas que mais nos magoam, e nós magoamos outras pessoas também. É surpreendente a capacidade que temos para ferir até a alma mesmo com os gestos mais simples, porém marcados pelo egoísmo. Já testemunhei relacionamentos entre amigos ou mesmo irmãos que muito se amavam, transformarem-se em relacionamentos amargos, nada amistosos, até moral e fisicamente agressivos, ocasionados por conflito de interesses. A comunicação é rompida, dando lugar a uma gelada indiferença. As palavras de admiração, carinho e amor quando não substituídas pelo silêncio, são suplantadas pelas tentativas de desconstrução da imagem do outro com o vociferar de uma verdadeira tsunami de palavras maledicentes.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Valorização da mulher: o legado de Cristo

“Jesus de Nazaré é incomparável em seu impacto sobre as mulheres. Ninguém fez tanto para elevar a dignidade da mulher em geral e da maternidade do que Jesus Cristo.” (Tim LaHaye)

Mais um 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Há muito para ser celebrado, igualmente tanto para ser lamentado. Se a data ainda existe dentro de um colossal esforço para associá-la a uma conscientização, significa dizer que tem sido roubado o direito da mulher de existir no mundo com o devido reconhecimento de seu papel.  

segunda-feira, 1 de março de 2010

Alarmismo inadvertido

“Nação se levantará contra nação, e reino contra reino. Haverá fomes e terremotos em vários lugares. Tudo isso será o início das dores” (Mt 24.7,8 - NVI).

Por Sandro Moraes

O terremoto ocorrido no Chile no fim de semana menos de dois meses depois do terremoto do Haiti, oitocentas vezes mais forte, embora com quantidade bem menor de vítimas porque a origem do tremor foi no oceano, impulsionou os alarmistas a apregoarem que o fim do mundo está próximo ou que o retorno de Cristo é iminente. O texto bíblico imediatamente lembrado é o do Evangelho de Mateus supracitado. Esses dois versículos estão inseridos num contexto em que Jesus Cristo indicava os sinais de sua vinda em resposta à pergunta dos discípulos: “Dize-nos, quando acontecerão essas coisas? E qual será o sinal da tua vinda e do fim dos tempos?” (Mt 24.3b).

De acordo com Tim LaHaye:

“Por causa de sua assustadora intensidade, os tremores de terra foram sempre considerados um sinal do juízo de Deus, ao menos desde Sua destruição de Sodoma e Gomorra. Os terremotos têm sido o meio de Deus chamar a atenção do homem. Quando as coisas vão bem e o homem sente-se seguro, ele raramente pensa em Deus. Entretanto, quando seus arranha-céus “à prova de tremor de terra” começam a balançar, o homem olha para algo maior do que ele. O tremor de terra vigoroso horroriza o homem. E bem que deve.”[1]