sábado, 22 de junho de 2013

O “ovo do Diabo” e os jogadores de futebol como pastores neopentecostais. Entrevista especial com Carmen Sílvia Rial

Encontrei hoje esta entrevista no site do Instituto Unisinos e achei interessante publicá-la a despeito de discordar de alguns poucos pontos. Discordo, por exemplo, da primeira metade desta observação da autora: "Ao contrário do catolicismo que prega a simplicidade e concentra-se na vida após a morte, o neopentecostalismo faz das riquezas materiais prova de um bom diálogo com Deus".  Simplicidade apregoada pelo catolicismo nesta existência? A história do romanismo mostra o oposto. A simplicidade, por exemplo, nunca suplantou o luxo e riquezas do vaticano usufruídas pelo clero e inúmeros papas. Embriagados pelo poder os vigários de Cristo se comportaram como verdadeiros anticristos desde o surgimento do catolicismo romano no século IV com Constantino (Sandro Moraes). 

Boa leitura!

Entrevista

Tornar-se pastor evangélico é a aspiração de muitos jovens brasileiros, e uma carreira plausível para um ex-jogador de futebol, constata a socióloga.O neopentecostalismo se difundiu entre atletas desse esporte e oferece uma cosmologia da prosperidade


A presença do neopentecostalismo no futebol é o novo nexo entre futebol e religião que a antropólogaCarmen Sílvia Rial examina em seus recentes estudos. O fenômeno, disse a pesquisadora na entrevista que concedeu por e-mail à IHU On-Line, coincide com o “aumento meteórico das igrejas evangélicas no Brasil”.
E complementa: “É o caso dos jogadores de futebol. A doutrina conhecida como Teologia da Prosperidade está na base das igrejas evangélicas que tiveram maior sucesso no Brasil. Assim, a Modernidade não apenas não acabou com a religião, como previam alguns, mas a reforçou, como é o caso do neopentecostalismo”. De acordo com Rial, “o neopentecostalismo oferece uma cosmologia capaz de integrar as novas experiências de vida destes jogadores (a experiência de viver no exterior, de solidão) assim como possibilita, para os jogadores-celebridades, viver como milionários sem culpa. Ao contrário do catolicismo que prega a simplicidade e concentra-se na vida após a morte, o neopentecostalismo faz das riquezas materiais prova de um bom diálogo com Deus”.
Carmen Sílvia Rial é graduada em Ciências Sociais e Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. É doutora em Antropologia e Sociologia pela Universidade Paris V – Sorbonne. Na Ecole des Hautes Études en Sciences Sociales cursou pós-doutorado. Leciona no departamento de Antropologia da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. De sua vasta produção bibliográfica, citamos o artigo The ‘Devil’s Egg’: The Football Players as New Missionaries of the Diaspora of Brazilian Religions, publicado na obra The Diaspora of Brazilian Religions(Netherlands: Brill, 2013).

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Qual é a relação que podemos estabelecer entre futebol e religião?