segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Mais do mesmo: Augustus Nicodemus repete insuperáveis problemas do calvinismo em São Luís


Por Sandro Moraes

Tido como um dos grandes teólogos da atualidade, Augustus Nicodemus esteve em São Luís neste fim de semana por ocasião das celebrações de aniversário de 50 anos de uma igreja presbiteriana na capital maranhense. Já suspeitava que ele aproveitaria o evento para mais uma promoção da teologia calvinista como tem sido freqüente nos últimos anos. Suspeita confirmada: Nicodemus utilizou Efésios 1.3-14 para apregoar que a eleição e a predestinação divinas se baseiam na própria vontade soberana do Altíssimo, na perspectiva do determinismo duro que caracteriza os seguidores do reformador protestante João Calvino (1509-1564). 

Entre os pontos fortes da pregação, a excelente organização do conteúdo como é característica exemplar na cultura dos chamados reformados, com informações do contexto histórico em que o livro de Efésios foi escrito. Uma apresentação com começo meio e fim, com conexões lógicas entre as diferentes partes da homilia. Entre os aspectos que, pessoalmente, considero negativo, uma certa frieza por parte do Dr. Nicodemus em relação ao público. Ao lembrar-me do carisma de outro renomado teólogo que já esteve algumas vezes em São Luís, Luiz Sayão, foi inevitável uma comparação. Não que eu exija que Nicodemus apresente carisma na mesma proporção daquele, o que seria absurdo, dadas as diferenças óbvias de personalidade, entretanto uma simpatia mínima além das formalidades básicas que um evento como esse exige faria bem. Quando um palestrante é convidado a participar de eventos comemorativos, congressos ou seminários, falar bem da cidade e dos anfitriões é uma atitude básica de retribuição. Pelo menos no culto de abertura das comemorações que acompanhei isto esteve ausente no teólogo. Pelo menos ele fez uma brincadeira interessante no início da pregação: “Paz do Senhor, e aos presbiterianos boa noite!” disse o pregador que arrancou risos do público, lembrando o velho Caio Fábio, que fazia um gracejo semelhante nos anos 90.      

Indo ao conteúdo da mensagem, não tenho tempo para tratar de tudo o que foi abordado; exigiria tempo e um longo texto (não tenho as duas coisas à disposição). Para uma abordagem mais prática e facilitadora da leitura do internauta, seleciono alguns pontos.