quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

O Sacrifício da Missa: fato ou fraude?

Por Sandro Moraes


"Neste divino sacrifício que se realiza na missa,  este mesmo Cristo, que se ofereceu a si mesmo uma vez de maneira cruenta no altar da cruz, está contido e é imolado de maneira incruenta" (Catecismo Católico, p. 377, Vozes, 1993).

"Quando a Igreja celebra a Eucaristia, faz a memória da páscoa de Cristo, e esta se torna presente; o sacrifício que Cristo ofereceu uma vez por todas na cruz torna-se sempre atual. Todas as vezes que se celebra no altar o sacrifício da cruz, pelo qual, Cristo nossa páscoa foi imolado, opera-se a obra da nossa redenção" (Catecismo Católico, p. 376).

Mais do que a marca distintiva em relação ao protestantismo, o sacrifício da missa é a essência do catolicismo que o distingue de todas as religiões. Na missa o sacrifício de Cristo na cruz do calvário é perpetuado e renovado de modo que os frutos da morte de Cristo são aplicados às almas humanas. Citando o Concílio de Trento, o Catecismo Católico afirma que esse sacrifício é verdadeiramente propiciatório. Por meio dele o fiel obtém misericórdia e encontra graça divina em tempos de necessidade. Tal oblação aplaca a ira do Senhor que concede perdão pelos erros e pecados, mesmo os mais graves, do pecador. O sacrifício da missa, portanto, efetua a remissão dos pecados e a punição por eles.  Por acreditarem que os benefícios de morte de Cristo são aplicados na missa, os católicos dão tremenda importância à eucaristia na qual Cristo é sacrificado de novo. O católico crê, como ensina sua igreja, que o sacrifício do Senhor na cruz se faz presente e com ele a aplicação do poder salvífico, redentor.  A missa é o ponto alto de toda a adoração da vida cristã para os fiéis. Mediante o milagre da transubstanciação, acredita-se, o verdadeiro corpo e sangue de Jesus Cristo estão presentes sobre o altar, manifestos de forma real e substancialmente sob a aparência de pão e vinho, para que o Senhor ofereça-se a Si mesmo no sacrifício da missa e seja recebido como alimento espiritual na sagrada comunhão.

Ou, como diz o Concílio Vaticano II: "...na eucaristia tornamo-nos co-participantes do corpo e do sangue do unigênito Filho de Deus...". E mais adiante o mesmo documento declara: "...a co-participação no corpo e sangue de Cristo não tem menos efeito do que transformar naquilo que recebemos".     

Mas a crença de que a cada vez que a missa é realizada a obra da cruz de Cruz se faz presente, qual seja a obra de redenção, possui fundamento bíblico? Há alguma passagem na Escritura que respalda o ensino de que na missa Cristo continua a se oferecer ao Pai como fez na cruz? Mesmo que de forma incruenta por meio do pão e do vinho, Jesus poderia repetir o seu sacrifício nos altares católicos? Durante a ceia o Senhor ensinou que o pão e o vinho se transformam literalmente em seu corpo e sangue, ou seja a transubstanciação? Mais de um artigo serão necessários para a busca das respostas. O presente texto é apenas a primeira etapa.

Uma análise acurada do significado da missa e da transubstanciação revelam que esses dogmas apresentam defeitos de natureza teológica e afetam a própria lógica. Depois da realização de uma pesquisa responsável é premente descobrirermos se o catolicismo é bíblico e, portanto, o verdadeiro cristianismo, ou se há diferenças entre o romanismo e a Escritura Sagrada. 

O que é necessário para que haja remissão dos pecados?

A resposta que a Bíblia oferece para essa pergunta começa a revelar as diferenças entre o cristianismo bíblico e o catolicismo. Segundo o autor de Hebreus "sem derramamento de sangue não há remissão (de pecados). Vejamos:

"E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão" (Hb 9.22 - ARA). 

A primeira missão (impossível) para os teólogos católicos é explicar (biblicamente) como é possível aplicar o benefício da remissão dos pecados na missa incruenta, em que não há derramamento de sangue, posto que o autor de Hebreus, cristalina e indubitavelmente, ensina que "sem derramamento de sangue não há remissão". Lembrando também que para garantir a remissão dos pecados muito sangue foi derramado na cruz. Até aqui e bem no início de um exame teológico do coração do catolicismo já começam a ficar claras as diferenças entre este e as Escrituras.  

A obra de redenção efetuada por Cristo na cruz pode ser repetida ou completada?

Sobre a missa o Catecismo Católico declara: "Com efeito, toda vez que é celebrado este mistério, 'opera-se a obra da nossa redenção'" (p. 389). E o Concílio Vaticano II afirrna: "No sacrifício da missa... o corpo dado por nós e o sangue derramado para a remissão de pecados são oferecidos a Deus pela Igreja para a salvação do mundo inteiro". Aqui os contrastes entre a Bíblia Sagrada e a Igreja Romana ficam ainda mais gritantes. A Escritura, ao contrário do romanismo, ensina que a obra de redenção foi um ato único e irrepetível, concluído com a morte de Jesus Cristo na Cruz. Deixemos a palavra de Deus falar por si:

"Então Jesus, depois de ter tomado o vinagre, disse: está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito" (Jo 19.30).   

Após escavações arqueológicas, recibos de impostos antigos da região da palestina encontrados em papiro apresentavam essa expressão "está consumado" em grego. O significado é "pago em sua totalidade". O preço para a nossa redenção do pecado foi totalmente pago pelo Senhor Jesus em sua morte. Foi um ato único. O ensino católico de que o sacrifício propiciatório da missa completa a obra de redenção de Cristo na cruz entra em contradição direta com a Escritura. Outras passagens escriturísticas engrossam ainda mais os contrastes entre o cristianismo bíblico e o catolicismo. 

"que não necessita, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez ele, uma vez por todas, quando se ofereceu a si mesmo" (Hebreus 7.27).

"e não pelo sangue de bodes e novilhos, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no santo lugar, havendo obtido uma eterna redenção" (Hb 9.12).

"doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo" (Hb 9.26).

"assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação" (Hb 9.28).

"É nessa vontade dele que temos sido santificados pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para sempre" (Hb 10.10).

"mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, assentou-se para sempre à direita de Deus" (Hb 10.12).

A palavra de Deus é imperativa e inequívoca ao declarar que a morte de Cristo na cruz (com seus benefícios) foi um evento único que não pode ser repetido, renovado, atualizado, reatado ou reapresentado (para usar a terminologia teológica católica) nem de forma incruenta nas missas católicas. Toda a obra necessária para a salvação do homem foi consumada na cruz, foi realizada em caráter definitivo e perfeito. Por meio de seu sangue derramado Jesus Cristo adquiriu eterna redenção para os que crêem nEle. Ao contrário dos continuados e imperfeitos sacrifícios do Antigo Testamento que precisavam ser repetidos todos os dias para cobrir temporariamente os pecados (Hb 7.27), o sacrifício de nosso Senhor com o seu próprio sangue oferecido de uma vez por todas resultou, não em expiação temporária, mas em eterna redenção (Hb 9.12). Cristo resolveu definitivamente o problema do pecado que aliena o homem de Deus.

A teologia da Carta aos Hebreus não deixa dúvidas de que a repetição das ofertas pelo pecado realizadas pelos sacerdotes no AT provam que elas não podiam pagar a penalidade do pecado. O fato de Cristo ter se oferecido uma única vez prova que seu sacrifício foi suficiente e perfeito, posto que o sangue derramado foi o de um Deus-Homem, sem pecado e sem mácula, e sem necessidade de repetição. Deve ser perspicazmente observado por analogia que, assim como os sacrifícios repetidos do AT eram insuficientes, a necessidade de repetições das missas prova que elas são ineficazes para a redenção do homem. Nem uma missa ou milhares de missas são suficientes para libertar almas do "purgatório". A necessidade de repetição evidencia a insuficiência e, por conseguinte, a inutilidade.  

É fundamental a compreensão de que os numerosos sacrifícios de animais no Antigo Testamento eram tipos que apontavam para o sacrifício perfeito e único de Cristo na cruz para expiação dos pecados, para a salvação daquele que crê. O que Cristo fez foi um pagamento total pelo pecado e não exige complemento; Logo nenhuma outra obra é necessária. E, não, o sacrifício de Cristo e o sacrifício da eucaristia ou da missa não são um único sacrifício, como ensina o Catecismo Católico (p. 376).

Uma decisão é inadiável

A questão que pode ter consequências eternas é: em quem você vai acreditar? Na igreja católica ou na palavra de Deus? Você vai crer no único e perfeito sacrifício de Cristo para a salvação da sua alma ou nos milhares de sacrifícios inúteis realizados nos altares pelos sacerdotes católicos?

As afirmações romanistas de que no sacrifício da missa Cristo se oferece de forma incruenta e perpetuamente para a salvação do mundo e na qual sua obra é completada entram em confronto direto com a Bíblia. Tal ensino da igreja católica é uma tentativa de tomar parte na obra redentora do Messias. É tentar roubar do Senhor o que é mérito exclusivo dEle. Damos ênfase a pergunta: em quê você vai acreditar? Na blasfêmia de uma igreja que no perpassar dos séculos se tornou especialista em adultério espiritual, e que tenta forçar o próprio Cristo a dividir com ela a glória d'Ele ou na Bíblia Sagrada que ensina que só Jesus é merecedor de toda glória? Em quem você vai depositar sua confiança? Em Jesus Cristo, o salvador, ou nas tradições de uma instituição que arvora-se de intérprete oficial da Escritura, mas que dela há muito se afastou para se afundar em sua própria paganização?

Finalizemos com a própria palavra da Verdade cujo ensino não autoriza mal-entendido:

"Porque também Cristo morreu uma só vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; sendo, na verdade, morto na carne, mas vivificado no espírito" (I Pe 3.18). 



Próximo post: A transubstanciação é um "milagre" possível?


2 comentários:

Otoniel Oliveira disse...

A Igreja Católica na verdade repete o que as antigas práticas veterotestamentárias faziam, manter a pessoa presa a um sistema. Com isso ela garante uma fidelidade pela dependência e nao pelo conhecimento que liberta, o que é uma herança medieval que diga-se, mantém-se muito eficaz no que diz respeito à manter o fiel deoendepen da igreja. Muito boas as abordagens do texto.

Otoniel oOliveir

Sandro Moraes disse...

Obrigado, pastor Otoniel. Vc foi preciso. O sacrifício da missa não salva, mas mantém o fiel preso pelo medo e desconhecimento. Obrigado pela participação, abraço, parceiro