terça-feira, 5 de setembro de 2017

A autocompreensão de Jesus: O Filho do Homem como reivindicação de sua divindade

Por Sandro Moraes

E disse Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça (Mateus 8.20).

Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido (Lucas 19.10).

Observar a forma como Jesus referia-se a si mesmo é fundamental para entendermos quem o nazareno acreditava ser. O título "Filho do Homem" ocorre cerca de setenta vezes nos Evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) e doze vezes no Evangelho de João, todos em referência a Cristo. A expressão aparece apenas três vezes no Novo Testamento fora dos Evangelhos (At 7.56; Ap 1.13; 14.14). Era sem dúvida o título favorito de Jesus para indicar a si mesmo e um detalhe deve concentrar nossa atenção: Jesus era o único que usava esse título; outras pessoas o chamavam de Cristo, de Messias, de Filho de Deus, mas jamais de Filho do Homem. O que significaria essa expressão?

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

O que Jesus quis dizer ao identificar-se como EU SOU em João 8.58?

Por Sandro Moraes 
Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se.
Disseram-lhe, pois, os judeus: Ainda não tens cinquenta anos, e viste Abraão?
Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou.
Então pegaram em pedras para lhe atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do templo, passando pelo meio deles, e assim se retirou (João 8:56-59).


Alguns textos da Bíblia descrevem Deus como pura realidade. Significa que aquilo que é não tem potencial para a não-existência, nem para a mudança. Deus é pura existência. Em Êxodo 3.13 Moisés pergunta o nome de Deus, no que recebe a seguinte resposta: "E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós" (Ex 3.14). Essa passagem mostra Deus em puro estado de EU SOU. Deus usa o verbo "ser" no presente. A existência de Deus é sempre, eterna e imutavelmente presente. Ele não foi ou será; Deus é auto-existente e eterno. 

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

A Trindade e a Divindade de Cristo; respostas a um jeovista inquieto

Aproveitava poucos dias atrás uma  promoção para comprar livros teológicos numa livraria evangélica que oferecia consideráveis descontos. Encontrei estudantes de teologia e logo estávamos debatendo  temas teológicos. Fomos abordados, repentinamente, por um jovem que ao ouvir nossa conversa começou a fazer muitas e variadas perguntas de natureza filosófica. Fui respondendo e com razoável desempenho, creio (atribuo ao treinamento apologético autodidata que me impús anos atrás). A leitura de dezenas de livros de apologética, ao lado da teologia histórica, tem sido meu maior prazer nos estudos teológicos. Coincidência ou providência divina (creio mais na segunda opção) tenho sido ultimamente abordado por pessoas em livrarias seculares ou evangélicas com questionamentos que exigem tratamento apologético nas respostas que procuro elaborar. 

De volta à última abordagem, o jovem despendeu grande esforço, principalmente para, mais do que entender a doutrina da Trindade, desqualificá-la como ilógica. Desconfiei que se tratava de um jeovista, adepto das testemunhas de Jeová. Respondi que a doutrina em questão só careceria de lógica se ela guardasse uma contradição, o que não é o caso. Só haveria contradição se o Pai, o Filho e o Espírito Santo fossem iguais no mesmo sentido, qual seja, se os três fossem uma e três pessoas ao mesmo tempo ou um e três deuses simultaneamente. Haveria aí uma grave contradição. Mas como eles são três pessoas e um Deus, portanto, o sentido em que são um não é o mesmo sentido em que são três. Há um mistério, não uma contradição. Vendo que ele não estava satisfeito com a resposta, repliquei que não podemos entender completamente a doutrina posto que mentes finitas não podem entender com inteireza a infinitude de uma mente divina ou a ontologia de um Deus. No que ele respondeu: 

- Então não podemos conhecer a Deus! 

- Podemos, sim! Podemos conhecer tudo o que Deus decidiu revelar acerca de Si mesmo ao homem. Isso podemos conhecer!, repliquei.   

domingo, 6 de agosto de 2017

A mulher vestida de sol simboliza Maria e sua ascensão física ao céu?

E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça.
E estava grávida, e com dores de parto, e gritava com ânsias de dar à luz.
E viu-se outro sinal no céu; e eis que era um grande dragão vermelho, que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas.
E a sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que havia de dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe tragasse o filho.
E deu à luz um filho homem que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono.
E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias.
(Apocalipse 12:1-6)


Teólogos católicos romanos interpretam que esse texto que fala de uma mulher que dá à luz uma criança que irá governar todas as nações com cetro de ferro é uma narrativa referente a Maria e seu filho Jesus Cristo, passagem escriturística usada pelo romanismo para sustentar o dogma da ascensão corpórea de Maria ao céu. Essa interpretação estaria correta? 

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Mais do mesmo: Augustus Nicodemus repete insuperáveis problemas do calvinismo em São Luís


Por Sandro Moraes

Tido como um dos grandes teólogos da atualidade, Augustus Nicodemus esteve em São Luís neste fim de semana por ocasião das celebrações de aniversário de 50 anos de uma igreja presbiteriana na capital maranhense. Já suspeitava que ele aproveitaria o evento para mais uma promoção da teologia calvinista como tem sido freqüente nos últimos anos. Suspeita confirmada: Nicodemus utilizou Efésios 1.3-14 para apregoar que a eleição e a predestinação divinas se baseiam na própria vontade soberana do Altíssimo, na perspectiva do determinismo duro que caracteriza os seguidores do reformador protestante João Calvino (1509-1564). 

Entre os pontos fortes da pregação, a excelente organização do conteúdo como é característica exemplar na cultura dos chamados reformados, com informações do contexto histórico em que o livro de Efésios foi escrito. Uma apresentação com começo meio e fim, com conexões lógicas entre as diferentes partes da homilia. Entre os aspectos que, pessoalmente, considero negativo, uma certa frieza por parte do Dr. Nicodemus em relação ao público. Ao lembrar-me do carisma de outro renomado teólogo que já esteve algumas vezes em São Luís, Luiz Sayão, foi inevitável uma comparação. Não que eu exija que Nicodemus apresente carisma na mesma proporção daquele, o que seria absurdo, dadas as diferenças óbvias de personalidade, entretanto uma simpatia mínima além das formalidades básicas que um evento como esse exige faria bem. Quando um palestrante é convidado a participar de eventos comemorativos, congressos ou seminários, falar bem da cidade e dos anfitriões é uma atitude básica de retribuição. Pelo menos no culto de abertura das comemorações que acompanhei isto esteve ausente no teólogo. Pelo menos ele fez uma brincadeira interessante no início da pregação: “Paz do Senhor, e aos presbiterianos boa noite!” disse o pregador que arrancou risos do público, lembrando o velho Caio Fábio, que fazia um gracejo semelhante nos anos 90.      

Indo ao conteúdo da mensagem, não tenho tempo para tratar de tudo o que foi abordado; exigiria tempo e um longo texto (não tenho as duas coisas à disposição). Para uma abordagem mais prática e facilitadora da leitura do internauta, seleciono alguns pontos.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Qual a base bíblica para a Expiação Ilimitada?


A morte de Cristo por todos os homens pode ser concluída de diversas passagens das Escrituras:

1 – Daquelas que dizem que ele morreu por “todo homem”, por “todos os homens”, por “todos”, pelo “mundo”, por “todo o mundo”:
Pois o amor de Cristo nos constrange, porque julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram; e ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. [2Co 5.14-15]
Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo. [1Tm 2.5-6]

Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos. [Hb 2.9]

E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo. [1Jo 2.2]

terça-feira, 22 de abril de 2014

Negros contra as cotas - Helio de La Peña, Morgan Freeman, Thomas Sowell...

quarta-feira, 26 de março de 2014

Resposta a calvinistas fanáticos

Já faz alguns meses que escrevi o artigo intitulado O calvinismo na teoria e a impossibilidade de vivê-lo na prática ou a onipresença do arminianismo. Só agora, entretanto me dei conta de que alguns comentários foram acrescentados. Eles merecem respostas.

A seguir posto os comentários por partes, em negrito e itálico; as minhas respostas vêm em seguida em caracteres normais:

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Blasfêmia contra o Espírito Santo, o que é?


“Todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada. Todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do homem será perdoado, mas quem falar contra o Espírito Santo não será perdoado, nem nesta era nem na que há de vir” (Mateus 12.31,32).


Um jovem rapaz me enviou um e-mail perguntando o que seria a blasfêmia contra o Espírito Santo, pecado para o qual não há perdão como o próprio Senhor Jesus disse. É uma das mais aterradoras afirmações feitas pelo Mestre, talvez só comparável em dureza às descrições do inferno proferidas pelo Deus-Homem. Afinal quem sensível para ouvir não ficaria pasmado diante de expressões como “ali haverá pranto e ranger de dentes, trevas eternas, inferno de fogo, castigo eterno..., ainda mais quando lembramos que foram descrições de realidades dolorosas difíceis de imaginar enfatizadas pelo ser mais manso que já pisou na terra?

sexta-feira, 26 de julho de 2013

As manifestações do asfalto e as torções ideologizadas

Por Sandro Moraes

Os protestos que varreram o país e se tornaram conhecidos em todo o mundo deixaram alguns apêndices que puderam ser vistos na última semana. Infelizmente, não foram as manifestações pacíficas que ganharam destaque dessa vez e sim as horrorosas imagens em que bandidos possuídos por fúria quase assassina destruíram vários estabelecimentos comerciais no Rio de Janeiro.