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09 maio, 2020

"Tomai, comei, isto é o meu corpo". Hóstia transubstanciada: Ritual canibalístico ou o deus encarnado que não sabe que existe

Por Sandro Moraes

Enquanto comiam, Jesus pegou um pão, e, abençoando-o, o partiu e deu aos discípulos, dizendo: — Tomem, comam; isto é o meu corpo (Mateus 26.26 NAA).


"O Concílio de Trento resume a fé católica ao declarar: 'por ter Cristo, nosso Redentor, dito que aquilo que oferecia sob a espécie do pão era verdadeiramente o seu corpo', sempre se teve na Igreja esta convicção, que o santo Concílio declara novamente: pela consagração do pão e do vinho opera-se a mudança de toda a substância do pão na substância do Corpo de Cristo, nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância do seu Sangue; esta mudança, a Igreja Católica denominou-a com acerto e exatidão de transubstanciação (Catecismo Católico, p. 380, #1376).


"...é possível ver quão apropriado e mais conveniente é o fato de que, em qualquer documento de importância onde há pontos obscuros, se busque nele mesmo seu próprio intérprete. Quanto à Bíblia, o procedimento sugerido não somente é conveniente e muito factível, mas também é absolutamente necessário e indispensável" (E. Lund). 

11 março, 2019

A transubstanciação e a lógica: corpo ressurreto indestrutível de Cristo vs hóstia perecível e outras contradições

Por Sandro Moraes

A ressurreição de Cristo não foi uma experiência de retorno da morte semelhante a ressurreição de Lázaro (João 11.1-44). Malgrado houvesse continuidade na aparência física de Jesus antes de sua morte e após sua ressurreição, alguns textos sugerem alguma mudança em sua aparência depois de seu retorno à vida. Dois discípulos que conversavam a respeito dos fatos sobre a morte de Jesus não reconheceram o próprio Jesus quando este se aproximou deles e com eles conversou durante parcela considerável da caminhada para a aldeia Emaús (Lucas 24.13-29). Depois, quando Jesus apareceu aos 11 discípulos em Jerusalém, o texto registra que eles ficaram surpresos e atemorizados ao contemplarem o Senhor ressurreto acreditando estar vendo um espírito (Lucas 24.33,37). Mesmo quando Jesus lhes mostrou as mãos e os pés com as possíveis marcas da crucificação, o texto diz que eles, ainda assim, não acreditaram (Lucas 24.38-41). A perturbação na mente dos discípulos pode ser explicada por inicial descrença naquilo que era considerado imponderável. Outra possibilidade é que houvesse diferença suficiente no corpo de Cristo após a ressurreição para que ele não fosse reconhecido de imediato. 

06 março, 2019

A transubstanciação é um milagre possível? O que a Bíblia ensina sobre a natureza dos milagres

Por Sandro Moraes

Em sua origem etimológica a transubstanciação é a conjugação de duas palavras latinas: trans (além) e substantia (substância). É a teoria oficialmente ensinada pela igreja católica segundo a qual o pão e o vinho se tornam carne e sangue de Cristo durante a santa ceia ou eucaristia. Ainda segundo esse conceito a substância ou essência do pão e do vinho é transformada, de modo miraculoso, no corpo e no sangue do Senhor Jesus, ainda que a aparência exterior do pão e do vinho, os chamados acidentes como o sabor ou cheiro, permaneçam inalterados. 

Essa doutrina foi definida no Quarto Concílio de Latrão, reunido durante o pontificado de Inocêncio III, em 1215. Carlos Collette (1912) informa que não se declarava a transubstanciação no romanismo até o Concílio Lateranense. Antes desse concílio se insistia na presença real e corpórea de Cristo no sacramento.