quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Sozinhos com o Pai no lugar secreto

Por Sandro Moraes


Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará (Mateus 6.6 - NVI).

Deus criou o ser humano para desfrutar de plena comunhão com Ele. Antes da rebeldia no Éden, o homem era capaz de compreender completamente a vontade de Deus, algo tornado possível mediante uma comunicação que não encontrava obstáculos. Era a conseqüência natural de ter sido criado à imagem e semelhança do criador.  

Todavia, o pecado entrou no mundo e quebrou a comunhão santa e perfeita entre o Criador e a criatura. O poder de escolha tão necessário a um relacionamento espontâneo baseado no amor foi a porta de entrada daquilo que roubou a alegria de uma comunhão sem interrupções com o Pai. 

Mas por sua graça e misericórdia o próprio Deus desceu de sua posição elevada para se tornar ser humano e viver em sociedade. Mediador único entre Deus e os homens, Jesus Cristo nos devolveu pelo seu sangue derramado aquilo que a rebelião seqüestrou: a comunhão com o Pai celestial. Jesus garantiu que sempre estaria conosco, portanto Ele não nos abandona, não estamos sós, Ele sempre está presente tomando conta dos seus filhos.


Dostoiévski disse que existe no homem um vazio do tamanho de Deus. Fácil concluir que esse vazio só pode ser preenchido pelo próprio Deus. A ausência dEle na vida de um ser humano é a razão da sensação de vazio na existência de muitos, percepção dolorosa que logicamente deveria ser suficiente para muitos voltarem-se ao Pai, todavia, para muitos as tristezas profundas da alma endurecem ainda mais esses corações rebeldes e obstinados, e eles embrenham-se mais em sua indiferença ao chamado do Pai para a verdadeira felicidade e alegria nEle, sendo capazes de culpar o próprio Pai pelas suas angústias nauseantes autocausadas.  


Glória a Deus porque em Cristo a nossa comunhão com o Criador é restaurada, e a nossa comunicação é restabelecida, derramando em nós o deleite de um relacionamento íntimo com Deus em pessoa o que nos leva a conhecê-lO mais e mais. Esse é o convite de Deus: conhecê-lO e desfrutar de uma comunhão pessoal com Ele. 


Infelizmente para muitos, até para nascidos de novo, a sensação de vazio e não de abundância resultante de uma qualidade de vida proporcionada por Cristo é o que mais se sobressai nos pensamentos ao longo do dia. E muitos cristãos perguntam porque. Repousa na não-observação de um mandamento do mestre a resposta. Se não oramos ou se pouco oramos, não nos apropriaremos de uma comunhão legítima com o Pai no perpassar do dia. Não foi sem propósito que Jesus nos ensinou a nos reservarmos em nosso lugar tranquilo e silencioso para orar. É no quarto secreto que dialogamos com Deus face a face. E quanto mais reservarmos lugares e horários para falar com o Pai, mais os efeitos desses momentos de comunhão refletirão no dia-dia, a despeito das circunstâncias, sejam elas adversas ou favoráveis. 


Daí porque é importante começarmos o dia devotando todo o nosso ser ao Pai em oração. O poder de uma comunhão com Deus caracterizada pela intimidade jubilosa depende inteiramente de um anseio na hora tranquila da manhã de buscar a presença dEle com intensidade. Acordar com mais sede da presença de Cristo do que com a fome e o desejo pelo desjejum determinará a qualidade da comunhão com Ele no restante do dia. Este deve ser o alvo a habitar o nosso ser manifestado em disciplina não legalista, nem repetição superficial ou religiosa.


É importante também não sermos contaminados por um reducionismo hermenêutico para considerar que somente a vigília da manhã é suficiente para nos deleitarmos de uma comunhão com Deus, assim como não devemos pensar que o quarto do nosso lar é o único onde encontramos uma ambiência tranqüila para conversar a sós com Ele. Qualquer lugar que reservamos para este fim é o quarto onde oramos ao Pai que nos vê em secreto. Jesus costumava se reservar em lugares isolados para orar e ouvir a voz celestial. Nessa lógica podemos encontrar paz dentro do carro trafegando lentamente em um trânsito intenso quando nesse momento nos dedicamos à oração. 


Jesus também disse que quando orássemos ao Pai que nos vê em secreto, Ele nos recompensaria. A maior recompensa para aquele que desfruta de uma comunhão com Cristo é o caráter do mestre se refletindo na vida daquele que O busca. A vida de Deus se reflete na vida de seus filhos, e o que mais caracteriza os filhos de Deus é um viver radiante. E tal como os discípulos cujos estilos de vida indicavam que eles andavam com o mestre, assim também seremos identificados como aqueles que se relacionam com o Pai. Assim como o rosto de Moisés resplandecia após descer do monte Sinai onde estava na presença de Deus, a vida de Deus brilhará em nós quanto mais nos demorarmos em Sua presença.  


Busquemos mais ao Pai em nosso quarto onde Ele nos vê em secreto. O Pai que nos vê em secreto nos dará muitas recompensas. A comunhão com Cristo será renovada a todo momento. A comunhão intensa com os outros não redundará numa perda da comunhão com Deus, ao contrário, o discernimento e a vigilância santa prevalecerão. E a alegria após a saída do quarto de oração somada a sensação permanente da presença de Cristo influenciarão nossos irmãos na fé e muitos circunstantes que conosco convivem.


Que seja assim para todos nós!  

4 comentários:

Presb. Fabio Scofield disse...

Olá! Irmão Sandro, Graça e Paz...

È verdade irmão, o homem tem se distanciado muito de Deus, e por isso criaram formas religiosas para tentarem atrair a sua atenção. Mas segundo podemos ver, isto não é possível, porque neste texto encontramos o Senhor Jesus orientando os seus discípulos a não repetirem as formas religiosas dos fariseus, que orava gritando em praças publicas e nas sinagogas; onde eles não deveriam fazer assim, mas buscar uma intima comunhão com o Pai, em oração no secreto, no intimo, onde só o Senhor pode ouvir, e no secreto atender, as nossas orações. Parabéns pelo lindo texto...
Um forte abraço na esposa...
Deus te abençoe....

marcos disse...

oi sandro, bom artigo como sempre. Durante esta semana fui confrntado com uma pergunta que me intrigou. " se uma pessoa é convertida e que acaba sendo confrontada com algo de errado que fez, e nega a ponto de mentir e prometendo por sua salvação que não fez aquilo que de fato fez, essa pessoa perde sua salvação por tal promessa?" gostaria da sua opnião obrigado.

Sandro Moraes disse...

Oi, Marcos, desculpe-me por responder ao seu questionamento com tanto atraso. É que ando profissionalmente muito atarefado.

Quanto à resposta, não, é apenas infantilidade ou estupidez essa atitude. A salvação não se baseia em obras. Ninguém perde a salvação por num momento ser bonzinho diante de Deus e no outro não! A salvação é mérito de Cristo. Imagine num momento ocorre o novo nascimento e no outro o novo nascimento é desfeito? Não dá né?

Abraço, Marcos, paz do Senhor!

Sandro Moraes

Anônimo disse...

Haroldo Galves foi inocentado por todas as pessoas que o conhecem e sabem que ele é um militante contra as injustiças do país.
Parabéns pelo blog.