quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Campanha da Fraternidade 2010: lema dúbio?

Recém-lançada no país, a ecumênica Campanha da Fraternidade 2010 tem alimentado os mais variados comentários, sobretudo em razão do seu lema “Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro”. O tema da campanha “Economia e Vida” e as explicações adicionais publicadas em diversos veículos midiáticos, sugerem que a intenção da CNBB juntamente com alguns segmentos protestantes é fazer contundentes críticas às injustas realidades sócio-econômicas e políticas brasileiras. Crítica aos políticos, ao governo, aos bancos, ao capitalismo neoliberal e à sociedade pós-moderna que encontra no dinheiro a medida de todas as coisas.

A suspeita de que o lema é dúbio e faz uma disfarçável alusão às igrejas evangélicas ganhou corpo na internet. Perdendo rebanho há duas décadas num fluxo que não dá indicações de parar, a igreja católica estaria implicitamente apontando o dedo para um segmento religioso que cada vez mais ganha relevo e adesões por efeito da controversa teologia da prosperidade.


Suspeitas a parte, no histórico mais antigo do romanismo e no mais recente da igreja evangélica brasileira, pasmem, existem muitas semelhanças.

Se a igreja católica tem como uma das grandes manchas históricas a venda de indulgências, ou seja, a venda em dinheiro do perdão divino e a garantia da compra do bilhete de entrada do céu, o que impulsionou a Reforma Protestante, a igreja evangélica, mais especificamente nos segmentos neopentecostal e pentecostal, vende o paraíso na terra ao propagar a idéia de um deus-barganhador-banqueiro, abençoador dos que pagam pelos benefícios terrenos, apresentando a modernamente versão perversa da indulgência.

Se a igreja católica, ao longo dos seus 17 séculos de existência, assassinou milhares de judeus e milhões de genuínos cristãos e tendo, por isso mesmo, sido apontada por pais da igreja como a literal Mulher Montada na Besta, embriagada com o sangue dos santos e das testemunhas de Jesus (descrita no Cap. 17 de Apocalipse), história de sangue que teve como ponto alto o apoio do papa Pio XII ao nazismo e suas atrocidades genocidas, a igreja evangélica tem matado espiritualmente milhões de pessoas com o evangelho de mamom que gera “crentes” adoradores de dinheiro e que andam ansiosos pelo dia de amanhã, não confiantes no cuidado e provisão de Deus.

Se “a mulher” vestida de púrpura e vermelho, (coincidentemente as mesmas cores das vestes sacerdotais dos papas) estava adornada de ouro, pedras preciosas e pérolas (após séculos de poder temporal, as riquezas do Vaticano somadas no mundo inteiro superam cifras de bilhões de dólares, portanto, incalculáveis), a riqueza financeira dos intocáveis ungidos telepregadores é gigantesca, às custas do empobrecimento de bolso e espiritual das “ovelhas sem pastor”.  

Se a mulher é o “Mistério: Babilônia, a Mãe das Prostituições e abominações da terra, tendo isto sido comprovado por séculos de apostasia e prostituição espiritual com suas tradições pagãs, a igreja evangélica também comete adultério espiritual ao trair a Deus com o “evangelho sem cruz”.

Se a prostituta, com quem os reis da terra se prostituíram e os habitantes da terra se embriagaram com o vinho da sua prostituição, é a grande cidade que reina sobre os reis da terra, podendo ser identificada como Roma, algo explicitado pela profana conexão entre igreja e estado e por séculos reinando literalmente sobre reis e imperadores (a Cidade do Vaticano ou Cidade de Roma hoje é um poderoso Estado política e economicamente), a igreja evangélica tem se prostituído na política, quando igrejas neo e pentecostais clássicas buscam eleger representantes apenas para ter mais poder temporal, o poder de César e desdizendo assim o que Cristo disse: que seu reino não era deste mundo.

Se o romanismo é a mulher que está assentada sobre sete montes (a Cidade do Vaticano está assentada sobre sete montes, conhecidos como as sete colinas de Roma:  Palatina, Capitolina, Quirinal, Viminal, Esquilina, Celia e Aventina) e constitui-se como a Grande Babilônia Espiritual, a cada dia no Brasil surgem “pequenas e médias babilônias” em ex-salas de cinemas ou em pontos estratégicos onde antes havia comércios, para embriagar incautos com falsas promessas de riqueza  e prosperidade e preparando seu próprio caminho tortuoso para o inferno. Essas pequenas babilônias ajudam a construir uma verdadeira babel no confuso cenário religioso mundial.

Se o apóstolo João ficou maravilhado com grande admiração diante da visão da Mulher Montada na Besta (Apoc 17.6), a grande mãe das práticas repugnantes da terra, igualmente ficaria boquiaberto na atualidade se pudesse ver que boa parcela daquilo que se convencionou chamar de “igreja evangélica”, nada tem que ver com o Evangelho, mormente a igreja neopentecostal que não é nem pentecostal nem evangélica, antes, é apóstata desde o princípio, como a Babilônia Espiritual.   

Dada a sua história, é desnecessário dizer que a igreja católica não tem moral, isso se de fato sua intenção era indiretamente apontar o dedo para as igrejas evangélicas como se fosse uma reserva moral. Talvez nem tenha sido esta sua intenção com o lema da Campanha da Fraternidade 2010.

Para os que se escandalizaram com as comparações do romanismo com a igreja evangélica, guardadas as devidas proporções, claro, quero dizer que não generalizei e nem tive isto em mente.

Sei que no meio disso que se chama “igreja”, a verdadeira Igreja de Cristo, cujas “portas do inferno não prevalecerão contra ela” está presente, está por aí em todos os lugares, distante das religiosidades, das heresias e rótulos denominacionais. É o joio misturado ao trigo que só Jesus pode separar. Só que está cada vez mais difícil identificar essa Igreja, mas ela tem marcas: é bíblica, vive e ensina o verdadeiro “Evangelho com Cruz” e estará no céu, para as bodas do Cordeiro.

Quanto a Grande Babilônia, há uma contundente advertência nas Escrituras para ela, que também vale para as babilônias menores:

“Saiam dela, vocês, povo meu, para que vocês não participem dos seus pecados, para que as pragas que vão cair sobre ela não os atinjam! Pois os pecados da Babilônia acumularam-se até o céu, e Deus se lembrou dos seus crimes” (Apoc 18.4,5).

Vem depressa SENHOR JESUS!

Por Sandro Moraes

9 comentários:

Clovis Cabalau disse...

Bela reflexão e tacada certeira na hipocrisia (católica e evangélica) que muitas vezes envergonha o evangelho do Senhor Jesus. Parabéns, campeão.

leila disse...

Muito me edifica as suas reflexões,identifico-me bastante com seu ponto de vista, inteligente, sábio acerca de Deus. Insaciável de pregar a verdade sem institucionalismo ou legalismo, mas plenamente fundamentado na Bíblia.Parabéns!Você faz parte de uma geração de adoradores que adoram a Deus em espírito e em verdade.Que Deus
nos de a sabedoria de andar sempre no Caminho da Graça.
Um abraço.

Hermes C. Fernandes disse...

Obrigado por seguir meu blog. Já estou seguindo o seu também e tomei a liberdade de inclui-lo em minha lista de blogs.

Forte abração!

leila disse...

Olá!
Achei relevante seus comentários(na rádio) e sua indignação no que diz respeito a essa controversa
teologia da prosperidade!Concordo plenamente com você!Que Deus te abençoe sempre e nos dê sabedoria de andar sempre no Caminho da Graça.
Um abraço.
leilasilvia64@hotmail.com

Isaias Medeiros disse...

Olá

Uma postagem muito interessante, assim como o restante do blog. Parabéns pelo seu trabalho, já estou sendo seu seguidor.

Se também desejar me visitar, conhecer minhas ideías, trocar links ou seguir meu blog, visite: Um pouco além do óbvio.

Abraço.

N'Ele, a autoridade máxima em matéria de salvação.

ana claudia disse...

Será que vc entendeu direito esse lema?Será que vc foi à fundo na sua leitura?Axo que vc leu igual aos meus irmãos evangélicos...eles olham e dizem o que veem,o que conseguem entender..mas não é assim...é preciso ler amplamente e aprofundar-se na leitura...ai sim vc vai entender direito esse lema...Que diz...use seu dinheiro para fazer o bem...deixe seu dinheiro à disposição de Deus...olha bem...não é da igreja...é de DEUS...se está à disposição de Deus...é claro que vc vai usar bem o seu dinheiro...e assim,vc vai está servindo a Deus,tendo o seu dinheiro apenas como ferramenta para seu senhor agir em vc...Entendeu????

Sandro Moraes disse...

Querida Ana Claudia, Paz! Entendi, claramente o tema da campanha. Atuo na área de jornalismo e li todo texto disponível, tanta da igreja católica quanto das igrejas luterana e anglicana, além de ter realizado entrevistas com líderes das igrejas envolvidas. Como você sabe alguns segmentos "evangélicos" entenderam que tratava-se de um "tapa fraterno" a despeito da participação de duas denominações protestantes históricas na campanha. O que disse no meu texto? Polêmicas a parte... e "isso se de fato sua intenção era indiretamente apontar o dedo para as igrejas evangélicas como se fosse uma reserva moral. Talvez nem tenha sido esta sua intenção..."
Como ficou claro em nenhum momento afirmei categoricamente que apontar o dedo para as igrejas da prosperidade era a intenção da campanha. O que fiz foi aproveitar um momento de questionamento para mostrar o "babilonismo" histórico do romanismo e suas semelhança com a versão babilônica mais moderna de 'alguns' segmentos "evangélicos". Já pretendia escrever acerca disso, apenas antecipei o momento. Agora as informações históricas do artigo são verdadeiras. Sugiro a leitura do livro "A mulher montada na besta", que é muito bem documentado com uma vasta bibliografia de historiadores "católicos". Porém, pessoalmente, jamais escreverei aquilo que é "ecumênico ou politicamente correto" somente para agradar, traíndo assim minha cosmovisão. Vc tem as opções de concordar ou discordar de mim. É seu direito assim como é meu direito externar o que penso, sobretudo alicerçado em informações históricas. Abraço!

Anônimo disse...

Olá Sandro,

Parábéns pelo post. Apesar de não duvidar da alta capacidade do ser humano de não ser crítico de si mesmo, quero acreditar que a CF não quis adotar os evangelicos como seu alvo principal.
A despeito da polêmica, é preciso que católicos ou protestantes avancem na tentativa de dialogar com a pós-modernidade capitalista que inferniza os cofres dos já mirrados valores humanos. Servir a Mamon continua sendo um dos maiores motivos da degradação (ou deterioração)humana.
Sou da idéia que é preciso apoiar toda campanha que for coerente com os valores cristãos e condenar, de forma sábia, toda o modismo da idolatria do eu, do ser humano ou do fundamentalismo "cristão".

ah, comecei a ler a dissertação do Ricardio Gondim. Parece uma boa referência histórica sobre a Missão Integral. Veja aí:

http://ibict.metodista.br/tedeSimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=2159

Abraços.

Marcio Freire

Sandro Moraes disse...

Obrigado, Márcio, pela sugestão da dissertação de mestrado de Ricardo Gondim. Também já comecei a lê-lo. Li excelentes obras de Gondim a exemplo de "É proibido" e "Evangelho da Nova Era", além de vários textos sobretudo quando ele analisa e critica o atual momento do evangelicalismo brasileiro. Considero, contudo, estranho alguns posicionamentos dele quando, por exemplo, questiona a soberania de Deus diante de tragédias naturais a exemplo da tsunami da Ásia ou os recentes terremotos do Haiti e Chile. Tenho a impressão que ele considera ortodoxia como leitura da Bíblia com olhos medievais. Tenho com muita frequência reservas quanto a liberalismos teológicos. Tenho medo de cair em heresia. Ressalvas a parte O texto de Ricardo Gondim é sempre merecedor da nossa atenção, seja para aprender, discordar ou aguçar o pensamento. Quanto ao que vc citou acerca da necessidade de avanço de católicos e protestantes e fundamentalismos..., pretendo em breve escrever sobre tais temas, inclusive sobre ecumenismo. Obrigado pela visita, abraço!