terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

RESPOSTAS À CARTA DE UM ESPÍRITA - PARTE 1


Estou de volta, primeiro texto que escrevo para este blog no ano. Planejo voltar a escrever com mais regularidade, embora o tempo esteja bem mais escasso para isso. De qualquer modo é bom estar de volta para escrever sobre temas que interessam a muitos leitores. Você leitor fique à vontade para opinar neste espaço com bom-senso e ética.

Apresento um programa de radiojornalismo aqui em São Luís. Recebi e-mails de um antigo ouvinte reencarnacionista. Considerei os temas relevantes e oportunos para serem publicados neste espaço.

Aprecie!


Vícios morais

E-MAIL: TONY FC
13 de fevereiro

Hoje mais uma vez ouvi o final do seu programa e para não variar, destilavas um dos seus preconceitos contra os flanelinhas.  Observe:

Por que sendo Deus absolutamente Bom e Justo, permite que convivam na Terra:

Ricos e pobres...
Sãos e doentes...
Gênios (você) e idiotas (os flanelinhas)...
Bons e maus...
Santos e facínoras
Atletas e paralíticos...

Não é válido dizer, que a origem desses desníveis é uma combinação de elementos hereditários, do ambiente social, da cultura, da educação etc. Essa explicação só serve para os materialistas, porque sem Deus não importam as injustiças. Nem vale pensar como pensava Lutero, que Deus tem seus eleitos, como se já nascessem com passaporte para o paraíso, dotados de valores espirituais especiais. Essa explicação só serve para os ingênuos. Se Deus tem eleitos, como fica a justiça?

Se pretendermos que haja equidade nas situações humanas, a única saída está na Doutrina Espírita que revela mecanismos da Lei de Deus. A chave para todos os enigmas está na reencarnação, que com o respaldo da lei de causa e efeito, possibilita que o espírito evolua e chegue ao seu destino que é a perfeição. Sede perfeitos como vosso Pai, asseverava Jesus.

Os eleitos de Deus são os espíritos perfeitos e como guia e modelo, Deus nos mandou Jesus. Em nosso mundo convivem espíritos de diferentes gradações etárias, o que explica a diferença de aptidões, tendências, vocações etc. Espíritos Bons são mais vividos, mais experientes, conscientes de suas responsabilidades. Espíritos maus ainda não têm a noção básica de que o universo é regido por mecanismos de causa e efeito. Os bons já tiveram mais encarnações, ou seja, são mais antigos na criação. A reencarnação é o único meio que oferece incontáveis oportunidades de mergulharmos na carne para experiências compatíveis com nossas necessidades evolutivas. Pense nisso. Deus nos perdoa setenta vezes sete vezes através dessas incontáveis oportunidades. Pense também nisso.

Lembre-se que você terá filhos e não sabes quem são os espíritos que virão para o aprendizado da carne sob a sua proteção paternal. Portanto, não discrimine o seu irmão flanelinha, homossexual etc., que vivem nesta vida uma situação infeliz. Todos somos filhos de Deus e irmãos de Jesus e devemos lembrar-nos sempre de uma lição inesquecível do mestre Jesus "Ama o teu próximo como a ti mesmo".

EM TEMPO: Lembra-te que viestes nesta vida atual, pobre e mulato, portanto orgulho, egoísmo e outros vícios morais, são entraves para a sua evolução. As condições infelizes da vida, assim como a dor, são provas ou expiações que nos ensinam o caminho da luz. Pense nisso também.
Abraços fraternos!


RESPOSTAS

Tony FC, Bem vindo!

Desculpe a demora para responder, mas só agora encontrei tempo para escrever as respostas embora tencionasse fazê-lo bem antes.

Primeiramente você afirmou que eu destilava preconceito contra os flanelinhas. Quero fazer as seguintes considerações:

1. Pré-conceito é uma idéia ou juízo pré-concebido. Já que li reportagens sobre o tema em foco no contexto brasileiro e de outros países a exemplo dos EUA, México, Espanha, Portugal e África do sul e pesquisei artigos de advogados, juristas e magistrados acerca do assunto antes de formular minhas opiniões, as idéias não poderiam ser preconceituosas, pois foram pós-concebidas, ou seja, formuladas após obter informações em profusão sobre o assunto. 

2. Incomodar-se com a privatização ou loteamento de espaços públicos é um posicionamento legítimo, sobretudo quando não há mais na prática tais espaços públicos para estacionar. Não há justiça em pagar não para ter um serviço prestado, mas para não ter seu veículo danificado e você defende essa injustiça. Em muitas ruas e avenidas do centro de São Luís nas quais você estaciona não há risco do seu veículo ser arrombado por causa do grande fluxo de pessoas e do movimento do comércio, portanto o seu carro não precisa ser vigiado.

3. Se eu pago dinheiro para alguém por não ter realisticamente vigiado o meu carro estou alimentando o zécarioquismo (lembra de Zé Carioca?) e sendo extorquido principalmente porque passo constrangimento e pago a contragosto porque em muitas ocasiões dou dinheiro para alguém que em muitos casos nem vigiou o meu carro, ao contrário, só apareceu no momento em que retornei ao veículo. E pago para não correr o risco de ter o meu carro arranhado ou danificado em outra ocasião por vingança por não ter efetuado o pagamento num momento anterior.

4. Pertences dentro de carros que não possuem alarmes costumam ser furtados pelos próprios “guardadores” de carros que depois acabam sofrendo de curiosa amnésia e/ou cegueira, não vendo quem praticou tais furtos.

5. Em adição, muitas pessoas que atuam como flanelinhas não são pessoas que vivem em situação de carência extrema. É fácil constatar que em não poucos casos são pessoas que possuem outros trabalhos e aproveitam para fazer “bico” e faturar um dinheiro extra, fácil e sem nenhum esforço. Em portas de farmácias, exemplificando, eles estão lá sem nenhuma necessidade já que o seu carro não sai da sua vista em  momento nenhum; as farmácias possuem portas de vidro transparente. 

6. Vale também ressaltar que o tempo de permanência do carro estacionado na porta de alguns estabelecimentos é tão curto que dispensa qualquer “serviço de vigilância”.

7. Acrescento que quando alguém tem preconceito costuma expressar alguma forma de violência por causa do ódio direcionado, o que não é o meu caso posto que apenas combato uma prática questionável, ilegítima e corrupta em muitos aspectos. O caso não é de PRECONCEITO nem de DISCRIMINAÇÃO, nem de ódio e sim de denúncia necessária. Não distorça os fatos nem inverta os papéis!

8. Nem mencionei situações em que as pessoas que não pagam para estacionar em locais públicos são ameaçadas. Também sequer mencionei os abusos em fins de semana durante eventos em que flanelinhas chegam a cobrar até R$ 10,00 e sob ameaça, sutil ou extremada. É óbvio que entre as generalizações mencionadas existem exceções, entretanto, os flanelinhas costumam praticar pelo menos um dos tipos de abusos supramencionados.

9. Mais: quem possui opinião embasada não tem preconceito; possui sim conceitos formados, portanto você me acusou de preconceito com base no mais tosco senso comum. Tenho conceitos e pós-conceitos, o que combato é um tipo de corrupção. Mas já que é praticada por pobres, então é legítima? Tantos inconvenientes e aborrecimentos e ninguém tem o direito de reclamar? Temos, como esfolados pagadores de impostos, que pagar por mais um “tributo” de forma resignada? Precisamos ser vítimas de extorsão passivamente? Constrangidos e fingindo que não há nenhum inconveniente em tudo isso? O problema não é pequeno. Se ou quando os cenários se agravarem - como já ocorre em grandes capitais em que os flanelinhas se “profissionalizaram” a tal ponto que agem como donos dos locais públicos, inclusive comercializando esses espaços, vendendo-os para outros praticantes de extorsões -,  quero ver que justificativas disparatadas serão elaboradas.

10. Nem fiz uso da legislação. Poderia igualmente desenvolver mais meus raciocínios utilizando reportagens que relacionam flanelinhas a crimes, mas tenho mais questões a tratar.

Prossigo...

Não sei se você me chamou de gênio por ironia ou com sinceridade. De qualquer modo não sou gênio. E os flanelinhas não são idiotas, mas muito espertos!

Na próxima postagem farei uma exposição de argumentos nas perspectivas filosóficas e teológicas para refutar alguns dos seus principais postulados reencarnacionistas, também mostrando a ausência de lógica dessas teorizações. Em breve!

Também tomei a liberdade para publicar estas cartas em meu blog pessoal, contudo preservando o seu nome.

Continua...

Sandro Moraes

Um comentário:

Ineg Sedruol disse...

Eu nao ouvi este debate que vocês relatam, que pena! Concordo plenamente com o que voce disse, Sandro. Espero que você levante esta bandeira mesmo; acho um absurdo mais este imposto! Existem locais que nao paro porque tenho medo dos ditos flanelinhas que na grande maioria das vezes sao bandidos (com exceçao, claro). Meu esposo teve uma camera fotografica furtada de dentro do carro, claro que o flanelinha nao o esperou para receber o $, ja havia recebido seu quinhao!
Nao concordo com o autor do email em nenhum sentido!