quarta-feira, 7 de março de 2012

Saga respostas a um espírita

Antes de começar a escrever artigos em que farei análise crítica das doutrinas espíritas me sinto compelido a dar algumas respostas diante de críticas e até acusações graves referentes ao meu caráter. Abaixo publico a carta de um adepto do espiritismo. Em seguida publico minhas respostas. Vale a pena ler. Boa leitura.



A saga dos flanelinhas

ANTONIO 

Amigo Sandro,

Em resposta a sua resposta ao meu email de 13/02/2012, quero me ater apenas ao ítem 7 do texto, em virtude da relação sinérgica com a observação que fiz a sua fala contra a flanelagem no Brasil.

Observe:

1.: A origem da minha reação em desfavor da sua demorada explanação radiofônica contra os flanelinhas, deu-se exatamente pelo ódio direcionado a esses infelizes irmãos, ora negado no texto.Você os trata, como a mais infeliz das ralés, assim como  os homossexuais, os pedófilos etc., que já tive oportunidade de ouvir nas tardes do seu programa, com bastante acidez inclusive.


2.: Não obstante, são legítimas algumas assertivas que fazes no texto, como por exemplo: a proliferação indigesta de flanelinhas e candidatos a flanelinha, ou seja, àqueles que se apresentam de última hora para aventurar algum real. A próposito, digo-lhe que não será o nosso "NÃO" a solução para esse grande problema social. Mas sim, o nosso "NÃO" veemente aos políticos que não deixam que verbas públicas instruam nossos irmãos flanelinhas.

3.: A educação é o maior empreendimento moral, viabilizado através do processo de transmissão de valores e, portanto, de aperfeiçoamento de comportamento individual e social. O nosso mundo de hoje é muito mais estético do que ético. O capitalismo dominante, além de empobrecer ainda mais os desvalidos, induz e potencializa a volúpia dos sentidos, onde a tendência é pessoal e subjetiva. Razão até, da incursão nos excessos das drogas, do sexo e no prazer a qualquer preço. Tais valores são difíceis de avaliar sob todos os aspectos, afinal acaba prevalecendo o - De gustibus non est disputadum, ou seja, gosto não se discute.

4.: A tarefa da educação é exatamente a de ensinar desde criança, o homem a viver segundo padrões absolutos, a fazer escolhas, ter disciplina e educar o desejo. Agora, como conseguir isso, se as famílias no Brasil perderam o lar. No lar é que se desenrola a educação dos sentimentos, que ensina o homem a não furtar, a não matar e acima de tudo, respeitar o direito do outro. No meu sentir, a única solução é deletarmos a estética humana, substituindo-a pela ética evangélica e vivê-la disciplinadamente, sobretudo dentro dos postulados do espiritismo que nos limita sem constrangimentos, liberta-nos sem liberdades e permite sem permissividade.

Por fim, caro amigo, nós apenas engatinhamos a caminho da luz, porém o caminho é muito longo. Os flanelinhas, os homossexuais, os pedófilos etc estão apenas no caminho conosco. Os fortes são para proteção  dos fracos - materialmente sem humilhá-los e espiritualmente moralizando-os. 

Pense nisso.

EM TEMPO.: Jesus, nosso irmão maior, foi bem claro quando disse que veio para os doentes(flanelinhas, homossexuais, pedófilos, prostitutas, ladrões etc. etc. etc.) e não para os sãos. (Será que já somos sãos?) Talvez não, estamos muito mais para doentes do que para sãos. A nossa emoção está sempre nos denunciando, principalmente quando fala.

Abraços Fraternos



Minhas respostas

Antonio Carlos, selecionarei alguns pontos que considero mais relevantes em sua carta. Você escreveu: 

“A origem da minha reação em desfavor da sua demorada explanação radiofônica contra os flanelinhas, deu-se exatamente pelo ódio direcionado a esses infelizes irmãos, ora negado no texto.Você os trata, como a mais infeliz das ralés, assim como  os homossexuais, os pedófilos etc., que já tive oportunidade de ouvir nas tardes do seu programa, com bastante acidez inclusive”.

Curiosa a sua tentativa de desviar o foco do problema real por meio da “tentativa” de descredibilização do meu caráter, e não mediante a refutação dos argumentos como deveria ser o fluxo normal do debate. Afirmas que eu odeio os flanelinhas. Quer dizer que quando denuncio a propagação de uma prática que incomoda muita gente significa que tenho ódio pelos atores de tais práticas? Palavras mais duras significam ódio e não indignação? Falar do inconveniente significa detestar? Tenho que ficar calado, não devo tocar no assunto? Denunciar as extorsões dos flanelinhas deve ser entendido como “tratá-los como ralé”? 

Ódio aos homossexuais? Engraçado nunca ter agredido um, atitude natural de quem odeia, nem ao menos “xinguei” um homossexual em minha existência pela conduta sexual dele. Nem destratei os gays com quem estudei ou trabalho, ao contrário, os tratei e trato como qualquer outra pessoa. Estranho esse ódio! Combater a nociva agenda gay (que se prevalecesse traria muitos desequilíbrios sociais e promoveria uma ditadura de minorias) é um tipo de posicionamento político legítimo dentro das fronteiras da democracia. Por que só eles teriam direito de impor suas visões de mundo? 

Ódio contra os pedófilos? Você é indiferente ao fato de adultos violentarem meninos e meninos? Eu fico indignado ao ler notícias de pessoas, exemplificando, abusando violentamente de bebês! Como ser humano me revolto. É repugnante! Soubeste daquele bandido em liberdade condicional que estuprou uma adolescente dentro de um ônibus no Rio de Janeiro? Você não se incomoda? Esquisito. 

Sabe qual é a diferença entre você e eu? É que você é permissivo e liberal nos costumes e eu tenho o posicionamento natural de combater as impiedades do nosso tempo. Sou um apologista da fé cristã, razão pela qual combato a permissiva agenda gay, acentuadamente danosa à família. Idem para os pedófilos. A pedofilia deve ser combatida com rigor. Amar homossexuais e pedófilos não significa compactuar com seus estilos de vida, nem passar a mão na cabeça de pedófilos quando declaram que gostam de meninos como assim o fez o pedófilo e líder do movimento gay no Brasil Luiz Mott. Ele fez uma apologia à pedofilia e saiu ileso e impune. Nossas palavras precisam ser duras contra esse estado de coisas.    

Igualmente curioso é você me acusar de ódio a pessoas quando me recordo dos seus destemperos quando participava no programa radiofônico que apresento. Eram as condutas mais intempestivas e extremadas, inclusive jamais vistas (ou seriam ouvidas?) em qualquer outro ouvinte. Quando se referia a José Sarney você vociferava as palavras aparentemente mais ferozes, mais “odiosas”, o que era explícito tanto pela escolha dos adjetivos mais contundentes quanto pela carga emotiva com que expressava suas opiniões. É o caso de perguntar: ódio aos flanelinhas, homossexuais e pedófilos é impudícia enquanto que ódio a Sarney é virtude? Ódio virtuoso?

Não o acusarei, contudo, de odiar Sarney. Teria que ser mau caráter para fazer isto porque, apesar do que é aparente, não conheço o que está em seu coração para fazer esse tipo de julgamento. Prefiro interpretar que você odeia o que o senador representa (todo o atraso do Maranhão) e não a pessoa dele ao ponto até de desejar a morte dele.

Agora você querer me dá lições de moral saindo do foco do debate sociológico para me acusar de ódio... Isso é hipocrisia! 

Antônio Carlos, o todo amoroso, Sandro Moraes, o todo odioso!!! 

Pelo que vi de muitos dos seus comportamentos no rádio, inclusive se envolvendo em seguidas intrigas com ouvintes e comigo mesmo (embora sempre falasse em virtudes), digo que você não é a pessoa adequada para falar de amor embora se considere bastante virtuoso; tire a trave dos seus olhos! Reconheço máscara religiosa quando estou defronte de uma. 
  
Você também escreveu o seguinte: 

“Não obstante, são legítimas algumas assertivas que fazes no texto, como por exemplo: a proliferação indigesta de flanelinhas e candidatos a flanelinha, ou seja, àqueles que se apresentam de última hora para aventurar algum real. ”

Aqui identificamos uma grave contradição: ao mesmo tempo em que me critica porque combato a propagação de flanelinhas que privatizam espaços públicos, você reconhece que “são legítimas algumas assertivas” que fiz, sendo uma delas a da “proliferação indigesta de flanelinhas e candidatos a flanelinhas”. Você critica a minha indigestão por essa realidade e concomitantemente diz que a proliferação é indigesta. Decida-se!
   
Em seguida vem uma opinião equivocada: 

“A propósito, digo-lhe que não será o nosso "NÃO" a solução para esse grande problema social. Mas sim, o nosso "NÃO" veemente aos políticos que não deixam que verbas públicas instruam nossos irmãos flanelinhas.”

Sim, é precisamente a falta do “não” que estimula a indigesta proliferação de flanelinhas que você citou. Os dois “não” que você mencionou são úteis nos dois casos.

É útil informar que em Buenos Aires é difícil ver flanelinhas porque a população foi sensibilizada a não alimentar a prática com a entrega de dinheiro. Ao mesmo tempo em que o governo criou programas de qualificação profissional e inclusão social.

Em algumas cidades de Rio Grande do Sul não se observa flanelinhas ou mesmo mendigos. Gramado é um exemplo. Explico: a população, por uma inclinação cultural, não dá dinheiro tão facilmente. Entende que se o indivíduo não recebe dinheiro fácil ele vai procurar uma forma de trabalhar para sobreviver. É obvio que é mais fácil aplicar esse princípio em lugares economicamente mais prósperos, mas adaptando a lógica à nossa cidade, os flanelinhas, se não fossem tão estimulados pelo nosso “sim”, poderiam procurar as vagas sempre abundantes na construção civil. O México resolveu o problema dos flanelinhas, o mesmo ocorreu em Nova York e em algumas outras cidades  argentinas, assim planeja fazer a Espanha e Portugal. Em suma: não estimular e qualificar. Aqui o problema se complexifica porque muitos flanelinhas possuem uma profissão. Ser flanelinha para eles é trabalho free-lance, bico, até diversão. E assim prosseguem em suas extorsões. Se sentem donos dos locais públicos a tal ponto que chegam a ameaçar pessoas por isso se não pagarem pelos (des)serviços prestados. 

Você também escreveu: 

“Jesus, nosso irmão maior, foi bem claro quando disse que veio para os doentes (flanelinhas, homossexuais, pedófilos, prostitutas, ladrões etc. etc. etc.) e não para os sãos. (Será que já somos sãos?) Talvez não, estamos muito mais para doentes do que para sãos. A nossa emoção está sempre nos denunciando, principalmente quando falamos.”

Digo: Jesus, Deus-homem, não menospreza ninguém, seja prostituta, mendigo ou rico, ladrão pobre ou ladrão rico, desde que haja arrependimento no coração de qualquer um deles. O mestre amou os desprezados de sua época, mas os ricos e poderosos foram desprezados não por serem ricos e poderosos, mas porque amaram mais as riquezas, o poder e outros ídolos de feitura humana e cometeram injustiças. É verdade, Cristo ama a prostituta, entretanto diz a ela: “vá e não peques mais!” Ama o ladrão arrependido e diz: “vá e não peques mais!” Traduzindo, Deus ama o pecador, mas não compactua com nossos pecados posto que é um Deus santo e justo, disciplina os filhos a quem ama e por não ser bobalhão trará juízo sobre as impiedades e injustiças da humanidade. Aqui queremos que haja justiça contra os crimes, mas Deus não deveria executar juízo, pois é um todo-amoroso-abestado segundo as cosmovisões religiosas humanistas.

Na cruz dois ladrões; um lança para Cristo desafios blasfemos, o outro reconhece o salvador e diz: “lembra-te de mim quando entrares no teu reino!”. Os dois eram pobres, somente um foi justificado, só um ouviu: “hoje estarás comigo no paraíso!” Dois pobres, somente um... Jesus não força ninguém para o arrependimento.

Devemos amar ricos e pobres e combater corrupções de ricos e pobres, extorsões de poderosos e de flanelinhas. Colocar lentes de aumento naquele e fazer vista grossa ou fingir miopia a este é preconceito às avessas e perversão dos fatos. A posição social desfavorável não legitima condutas indevidas, e nem sempre as explica. 

Mudando de tópico me chamou a atenção o texto intitulado “O Pai Nosso meditado” de autoria desconhecida que me enviaste e que simula uma hipotética conversa entre Deus e um religioso. Fez-me lembrar de uma crítica sua feita a mim. Você me criticou por fazer reflexões no final do programa de rádio na perspectiva de um Deus antropocêntrico e afirmou que Deus não pode ser conhecido pelo homem. Estranho; o texto “o pai nosso meditado” mostra um Deus muito antropocêntrico, parecido com o tipo que você criticou, muito próximo do ser humano e a este se revela, muito diferente do deus inatingível que apregoas. 

Antonio Carlos, sempre tropeçando nas próprias contradições; pelo menos você é coerente ao manter sua tradição de ser contraditório. 

Uma sugestão: procure debater os assuntos dentro de uma abordagem política e sociológica. Seja trabalho escravo, flanelinhas, etc, você sempre desvia o foco para dar explicações espiritualistas. Além de ser reducionista e auto-limitador, é muito chato. Você é inteligente. Saia um pouco dessa metafísica inútil e desça para o planeta terra. 

E por fim me solicitaste que publicasse em meu blog áudios que falam acerca do homem de bem numa perspectiva kardecista. Perdão, não vou poder atender ao seu pedido. Ecumenismo é uma das maiores tolices, visto que duas realidades mutuamente excludentes não poderiam ser a um só tempo a verdade. Uma estará sempre certa e a outra será então logicamente mentirosa. O espiritismo apregoa um sistema de salvação pelas obras enquanto que as Escrituras revelam que a salvação é pela graça de Deus mediante a fé. Em Efésios o apóstolo Paulo nos ensina que a salvação não vem de obras para que ninguém se glorie. A Bíblia fala do estado caído da espécie humana, fala da degradação moral do homem. Em revanche o espiritismo ensina acerca do progresso ou evolução moral da humanidade. A violência onipresente na história é um tapa na cara do kardecismo ao mesmo tempo em que atesta as verdade escriturísticas. Deixo o mito da bondade natural do homem pra você. 

No meu blog só há espaço para as verdades do Evangelho de Cristo e não para revelações saídas de necromancias e outros fenômenos ocultos.

Deus te ilumine.

Em tempo: No e-mail que me enviaste intitulado vícios morais, fizeste menção acerca de um dos principais reformadores, Martim Lutero e de sua visão acerca da eleição. O que você tencionava não se aplica a minha cosmovisão teológica, pois não compactuo com o postulado da pré-seleção divina na perspectiva luterana e calvinista. A corrente teológica que abracei preconiza que os eleitos são todos aqueles que Deus sabia de antemão na eternidade passada que pela fé fariam parte da igreja de Cristo. Mas não tenho tempo para explicar isto agora. No meu blog há alguns textos que escrevi sobre este assunto.

Sandro Moraes


Um comentário:

João disse...

Este Antônio Carlos não surpreende em nada, sempre tentando aparecer, já que na rádio não dá mais não é? Foi PROIBIDO DE TANTA TOLICE QUE EXPRESSAVA.
Sempre querendo distorcer a opinião dos outros! Olha ninguém é obrigado a compactuar com coisas erradas e absurdas,por você acreditar que estão pagando "penitências" de vidas passadas, isso é o cúmulo.
A importância está no reino de Deus, esse sempre foi o mesmo e será eternamente.
Sinto que você sofrerá decepção se deixar essa vida pensando que reencarnará.
Valeu Sandro!!!