segunda-feira, 28 de março de 2011

Um estranho infalível papa

Por Sandro Moraes

Coube à geração da segunda metade do século XIX testemunhar a prova suprema da soberba papal. Teria a publicação da bula do  papa Pio IX deixado o mundo boquiaberto? Só então foi descoberto que o Pontífice Romano, o vigário de Cristo era infalível em matéria de doutrina, fé e moral. Teria a mais nova e bizarra invenção feito Lúcifer estremecer com o desafio do neo-pretenso deus de usurpar o trono da mais perfeita auto-exaltação? Ou o anjo de luz gargalhou com profunda satisfação pelo surgimento de mais uma obra-prima luciférica? Não está escrito na carta paulina aos romanos que todos pecaram e carecem da glória de Deus? 

A despeito da declaração escriturística de que todos os homens são pecadores a igreja babilônica teve a ousadia de declarar que existe um homem perfeito investido de infalibilidade, um deus na terra capaz de denunciar e inutilizar como erros as ordenanças do Deus do céu. Impossível não recordar as palavras do apóstolo Paulo falando acerca do filho da perdição (o futuro anticristo) aos tessalonisenses que ele "se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus". Não obstante serem pessoas diferentes (o futuro filho da perdição e o papa), a semelhança é assombrosa.


O mesmo Pio IX que declarou a infalibilidade papal em 1870 disse o seguinte seis anos antes: 

"Essas opiniões falsas e perversas (de democracia e liberdade individual) são por demais detestáveis pelo muito que elas... obstruem e banem a influência salutar que a Igreja Católica, por instituição e mandamento do seu divino Autor, deveria exercer livremente, até a consumação do mundo, não apenas sobre os indivíduos, mas (sobre) nações, povos e soberanos" (Dave Hunt, A mulher montada na besta, pg 124).

Na contramão da declaração acima o papa João Paulo II, no seu discurso oficial de sua Segunda Visita Pastoral aos EUA em 10.09.1987 disse : 

"Venho proclamar... a mensagem da dignidade humana, com seus direitos humanos inalienáveis... (como) um peregrino na causa da justiça e da paz... como um amigo dos pobres... que esperam encontrar... o profundo significado da vida, da liberdade e estando em busca da felicidade". 

Diante de tão flagrante colisão vale perguntar qual dos dois papas foi infalível em sua declaração. Um católico sincero deveria questionar: Em qual dos dois devo acreditar? Este pequeno exemplo prova que ambos não poderiam ser infalíveis concomitantemente e desmascara o sistema da infalibilidade como uma outra tradição romanista fabricada para escravizar mentes idólatras. Um sistema despótico que interpreta as Escrituras conforme seus próprios intentos políticos, que zomba do bom senso e insulta a inteligência.

Se a infalibilidade papal for verdadeira precisa passar por um primeiro e indispensável teste. Era Pedro, segundo a tradição católica o primeiro papa, infalível?

A Escritura responde.

A falibilidade de Pedro

Pedro era a rocha sobre a qual Cristo fundou a igreja, assim apregoa o romanismo, interpretando muito mal as palavras do Senhor Jesus em Mateus 16.18,19. Basta uma exegese simples e sadia para perceber que o catolicismo fez um indevido acréscimo à Palavra de Deus. Se Cristo, contudo, indicou Pedro com primeiro papa naquele momento, e já que todos os papas são infalíveis, a conduta seguinte de Pedro logo revelou a falácia da infalibilidade papal. Depois de ter sido louvado pelo mestre Jesus por ter declarado que  ele era o Cristo, Pedro foi repreendido logo depois por ter dito que o Cristo não precisava morrer. Ouviu do Senhor um sonoro: "Arreda, Satanás!" (Mateus 16.13-23)

Durante a transfiguração de Cristo, Pedro errou mais uma vez ao desejar fazer três tendas, uma para Moisés, uma para Elias e outra para Jesus. O erro do primeiro papa infalível? Quis rebaixar Jesus ao nível de um profeta.

Pedro também explodiu em ferocidade extrema ao cortar com uma espada a orelha do servo do sumo-sacerdote na noite em que Cristo foi traído. Também negou o mestre repetidas vezes antes que o galo cantasse, como o próprio Jesus havia predito.     

 E por fim, até o apóstolo Paulo enfrentou Pedro face a face porque este era repreensível (Gálatas 2.11-14).

Só um ser sem pecado poderia ser infalível. E só encontramos um ser impecável em toda a história: Jesus. Mais que heresia, afirmar que o papa é infalível em matéria de fé e moralidade chega perigosamente perto da blasfêmia. Felizmente, em Pedro o sistema papal teve uma péssima largada. Desde o princípio o sistema autodenunciou-se como deslavada mentira. 

Em tempo: o suposto primeiro papa não era celibatário, era casado, como afirma a Escritura. 


Que estranho primeiro papa!!!

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