quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Blasfêmia contra o Espírito Santo, o que é?


“Todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada. Todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do homem será perdoado, mas quem falar contra o Espírito Santo não será perdoado, nem nesta era nem na que há de vir” (Mateus 12.31,32).


Um jovem rapaz me enviou um e-mail perguntando o que seria a blasfêmia contra o Espírito Santo, pecado para o qual não há perdão como o próprio Senhor Jesus disse. É uma das mais aterradoras afirmações feitas pelo Mestre, talvez só comparável em dureza às descrições do inferno proferidas pelo Deus-Homem. Afinal quem sensível para ouvir não ficaria pasmado diante de expressões como “ali haverá pranto e ranger de dentes, trevas eternas, inferno de fogo, castigo eterno..., ainda mais quando lembramos que foram descrições de realidades dolorosas difíceis de imaginar enfatizadas pelo ser mais manso que já pisou na terra?


Não quero aqui discutir qual grau de intensidade das metáforas deva ser levado em conta porque o próprio pensamento de uma eternidade em um apartheid, um separatismo do próprio Criador evoca a ideia de um sofrimento indizível posto que nessa situação o homem esteja alienado de tudo o que é sonhado, desejado como utopia inalcançável pelo próprio esforço ou mérito, a perfeição de estar diante do próprio Deus em adoração a Ele, plenitude do desfrutar de tudo o que é perfeito e bom numa realidade em que não há dor, lágrima, nenhum sofrimento identificável, apenas alegria inefável num Estado Eterno. 

Pois é a alienação desse Céu, lugar-estado de perfeição, o resultado da blasfêmia contra o Espírito Santo. 
Uma interpretação comum entre os eruditos cristãos é a de que essa blasfêmia em específico seria uma contínua atitude de rebelião contra o próprio Deus, uma resistência ao chamado do Espírito Santo durante toda a existência, experiência marcada por uma vida obstinada de pecados. Essa blasfêmia não seria, portanto, uma falha praticada uma única vez, mas repetidas vezes.  

Na mente hebraica a blasfêmia se caracterizava pelo abuso explícito e gratuito do nome de
Deus. Mas aqui se observarmos o contexto dos versículos em foco descobriremos que os fariseus foram acusados de blasfêmia por Jesus por atribuírem a Satanás a obra realizada pelo poder do Espírito Santo. “É somente por Belzebu, o príncipe dos demônios, que ele expulsa demônios”, disseram os fariseus ao ouvirem que Jesus curara um endemoniado cego e mudo. Um insulto injustificável feito para desacreditar a obra miraculosa de Cristo.

Não creio que, tecnicamente falando, a blasfêmia contra o Espírito Santo seja reproduzida hoje em dia, até porque as circunstâncias envolvidas nessa narrativa são muito específicas. Talvez algo semelhante só seja encontrado em círculos satanistas, na realização da missa negra, por exemplo, iniciada à meia-noite. Nesse ritual pagão os nomes do Deus-Pai, do Deus-Filho e de Maria (Nossa Senhora para os católicos) são blasfemados. Esse ritual geralmente termina em orgias ritualísticas. Estou apenas conjecturando.

A narrativa da blasfêmia dos fariseus, no entanto, deixa uma lição aguda - no meu entendimento - a partir da perspectiva humana: a atitude de resistência deliberada e contínua contra o Espírito Santo pode levar a um endurecimento irreversível do coração, estágio em que o arrependimento já não é possível. Talvez por isso da perspectiva de Cristo não há perdão para a blasfêmia em questão nem neste mundo nem no porvir.       

 Por Sandro Moraes

 

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