01 outubro, 2022

Eleições, candidatos e grupos como expressão de uma sociedade dividida

Antes do dia das eleições passamos semanas ouvindo a propaganda eleitoral gratuita com as sucessivas promessas dos candidatos. Muitas delas são irrealizáveis por serem impossibilidades lógicas mesmo, ou simplesmente por só fazerem parte das estratégias de comunicação ao eleitor, sem habitar na mente, no entanto, a intenção de realizar essas promessas caso o candidato seja eleito. 

09 maio, 2020

"Tomai, comei, isto é o meu corpo". Hóstia transubstanciada: Ritual canibalístico ou o deus encarnado que não sabe que existe

Por Sandro Moraes

Enquanto comiam, Jesus pegou um pão, e, abençoando-o, o partiu e deu aos discípulos, dizendo: — Tomem, comam; isto é o meu corpo (Mateus 26.26 NAA).


"O Concílio de Trento resume a fé católica ao declarar: 'por ter Cristo, nosso Redentor, dito que aquilo que oferecia sob a espécie do pão era verdadeiramente o seu corpo', sempre se teve na Igreja esta convicção, que o santo Concílio declara novamente: pela consagração do pão e do vinho opera-se a mudança de toda a substância do pão na substância do Corpo de Cristo, nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância do seu Sangue; esta mudança, a Igreja Católica denominou-a com acerto e exatidão de transubstanciação (Catecismo Católico, p. 380, #1376).


"...é possível ver quão apropriado e mais conveniente é o fato de que, em qualquer documento de importância onde há pontos obscuros, se busque nele mesmo seu próprio intérprete. Quanto à Bíblia, o procedimento sugerido não somente é conveniente e muito factível, mas também é absolutamente necessário e indispensável" (E. Lund). 

11 março, 2019

A transubstanciação e a lógica: corpo ressurreto indestrutível de Cristo vs hóstia perecível e outras contradições

Por Sandro Moraes

A ressurreição de Cristo não foi uma experiência de retorno da morte semelhante a ressurreição de Lázaro (João 11.1-44). Malgrado houvesse continuidade na aparência física de Jesus antes de sua morte e após sua ressurreição, alguns textos sugerem alguma mudança em sua aparência depois de seu retorno à vida. Dois discípulos que conversavam a respeito dos fatos sobre a morte de Jesus não reconheceram o próprio Jesus quando este se aproximou deles e com eles conversou durante parcela considerável da caminhada para a aldeia Emaús (Lucas 24.13-29). Depois, quando Jesus apareceu aos 11 discípulos em Jerusalém, o texto registra que eles ficaram surpresos e atemorizados ao contemplarem o Senhor ressurreto acreditando estar vendo um espírito (Lucas 24.33,37). Mesmo quando Jesus lhes mostrou as mãos e os pés com as possíveis marcas da crucificação, o texto diz que eles, ainda assim, não acreditaram (Lucas 24.38-41). A perturbação na mente dos discípulos pode ser explicada por inicial descrença naquilo que era considerado imponderável. Outra possibilidade é que houvesse diferença suficiente no corpo de Cristo após a ressurreição para que ele não fosse reconhecido de imediato. 

06 março, 2019

A transubstanciação é um milagre possível? O que a Bíblia ensina sobre a natureza dos milagres

Por Sandro Moraes

Em sua origem etimológica a transubstanciação é a conjugação de duas palavras latinas: trans (além) e substantia (substância). É a teoria oficialmente ensinada pela igreja católica segundo a qual o pão e o vinho se tornam carne e sangue de Cristo durante a santa ceia ou eucaristia. Ainda segundo esse conceito a substância ou essência do pão e do vinho é transformada, de modo miraculoso, no corpo e no sangue do Senhor Jesus, ainda que a aparência exterior do pão e do vinho, os chamados acidentes como o sabor ou cheiro, permaneçam inalterados. 

Essa doutrina foi definida no Quarto Concílio de Latrão, reunido durante o pontificado de Inocêncio III, em 1215. Carlos Collette (1912) informa que não se declarava a transubstanciação no romanismo até o Concílio Lateranense. Antes desse concílio se insistia na presença real e corpórea de Cristo no sacramento.

01 março, 2018

O Sacrifício da Missa: fato ou fraude?

Por Sandro Moraes

"Neste divino sacrifício que se realiza na missa, este mesmo Cristo, que se ofereceu a si mesmo uma vez de maneira cruenta no altar da cruz, está contido e é imolado de maneira incruenta" (Catecismo Católico, p. 377, Vozes, 1993).

"Quando a Igreja celebra a Eucaristia, faz a memória da Páscoa de Cristo, e esta se torna presente; o sacrifício que Cristo ofereceu uma vez por todas na cruz torna-se sempre atual. Todas as vezes que se celebra no altar o sacrifício da cruz, pelo qual, Cristo nossa Páscoa foi imolado, opera-se a obra da nossa redenção" (Catecismo Católico, p. 376).

05 setembro, 2017

A autocompreensão de Jesus: O Filho do Homem como reivindicação de sua divindade

Por Sandro Moraes

E disse Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça (Mateus 8.20).

Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido (Lucas 19.10).

Observar a forma como Jesus referia-se a si mesmo é fundamental para entendermos quem o nazareno acreditava ser. O título "Filho do Homem" ocorre cerca de setenta vezes nos Evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) e doze vezes no Evangelho de João, todos em referência a Cristo. A expressão aparece apenas três vezes no Novo Testamento fora dos Evangelhos (Atos 7.56; Apocalipse 1.13; 14.14). Era sem dúvida o título favorito de Jesus para indicar a si mesmo, e um detalhe atrai a nossa atenção: Jesus era o único que usava esse título; outras pessoas o chamavam de Cristo, de Messias, de Filho de Deus, mas jamais de Filho do Homem. O que significaria essa expressão?

22 agosto, 2017

O que Jesus quis dizer ao identificar-se como EU SOU em João 8.58?

Por Sandro Moraes 


Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se.
Disseram-lhe, pois, os judeus: Ainda não tens cinquenta anos, e viste Abraão?
Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou.
Então pegaram em pedras para lhe atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do templo, passando pelo meio deles, e assim se retirou (João 8:56-59).


Alguns textos da Bíblia descrevem Deus como pura realidade. Significa que aquilo que é não tem potencial para a não existência, nem para a mudança. Deus é pura existência. Em Êxodo 3.13 Moisés pergunta o nome de Deus, no que recebe a seguinte resposta: "E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós" (Êxodo 3.14). Essa passagem mostra Deus em puro estado de EU SOU. Deus usa o verbo "ser" no presente. A existência de Deus é sempre eterna e imutavelmente presente. Ele não foi ou será; Deus é autoexistente e eterno. 

15 agosto, 2017

A Trindade e a Divindade de Cristo; respostas a um jeovista inquieto

Por Sandro Moraes

Aproveitava poucos dias atrás uma promoção para comprar livros teológicos numa livraria evangélica que oferecia consideráveis descontos. Encontrei estudantes de teologia e logo estávamos debatendo temas teológicos. Fomos abordados, repentinamente, por um jovem que ao ouvir nossa conversa começou a fazer muitas e variadas perguntas de natureza filosófica. Fui respondendo e com razoável desempenho, creio (atribuo ao treinamento apologético autodidata que me impus anos atrás). A leitura de dezenas de livros de apologética, ao lado da teologia histórica, tem sido meu maior prazer nos estudos teológicos. Coincidência ou providência divina (creio mais na segunda opção) tenho sido ultimamente abordado por pessoas em livrarias seculares ou evangélicas com questionamentos que exigem tratamento apologético nas respostas que procuro elaborar. 

07 agosto, 2017

A mulher vestida de sol simboliza Maria e sua ascensão física ao céu?

Por Sandro Moraes

E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça.
E estava grávida, e com dores de parto, e gritava com ânsias de dar à luz.
E viu-se outro sinal no céu; e eis que era um grande dragão vermelho, que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas.
E a sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que havia de dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe tragasse o filho.
E deu à luz um filho homem que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono.
E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias.
(Apocalipse 12:1-6)


Teólogos católicos romanos interpretam que esse texto que fala de uma mulher que dá à luz uma criança que irá governar todas as nações com cetro de ferro é uma narrativa referente a Maria e seu filho Jesus Cristo, passagem escriturística usada pelo romanismo para sustentar o dogma da ascensão corpórea de Maria ao céu. Essa interpretação estaria correta? 

20 setembro, 2016

Mais do mesmo: Augustus Nicodemus repete insuperáveis problemas do calvinismo em São Luís

Por Sandro Moraes

Tido como um dos grandes teólogos da atualidade, Augustus Nicodemus esteve em São Luís neste fim de semana por ocasião das celebrações de aniversário de 50 anos de uma igreja presbiteriana na capital maranhense. Já suspeitava que ele aproveitaria o evento para mais uma promoção da teologia calvinista como tem sido freqüente nos últimos anos. Suspeita confirmada: Nicodemus utilizou Efésios 1.3-14 para apregoar que a eleição e a predestinação divinas se baseiam na própria vontade soberana do Altíssimo, na perspectiva do determinismo duro que caracteriza os seguidores do reformador protestante João Calvino (1509-1564).